Datafolha mostra empate técnico de Lula com adversários no 2º turno e recuo entre jovens
Pesquisa eleitoral mais recente aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em situação de empate técnico com potenciais oponentes no segundo turno, enquanto perde apoio entre eleitores mais jovens — segmento considerado estratégico para sua base eleitoral.
Nova rodada de pesquisa do Datafolha sobre a corrida Presidencial de 2026, divulgada no último sábado, revela um cenário eleitoral mais desafiador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em diversos cenários de segundo turno, o atual chefe do Executivo aparece empacado em empate técnico com nomes como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Caiado, segundo os números levantados pelo instituto.
No levantamento de avaliação de governo, 40% dos entrevistados têm uma percepção negativa da administração, enquanto apenas 29% consideram o governo como positivo — indicadores que refletem desgaste da imagem presidencial na opinião pública.
Um dos dados mais comentados pelos analistas políticos é a diminuição do apoio entre os eleitores mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, representativa de cerca de 14% do eleitorado brasileiro, Lula registra cerca de 40% das intenções de voto nessa faixa etária — um recuo acentuado em relação ao mesmo período de 2022, quando alcançava aproximadamente 62% nesse grupo.
Esse fenômeno tem sido confirmado por outras pesquisas recentes. Um estudo da Atlas/Intel indicou que quase 73% dos jovens entre 16 e 24 anos dizem desaprovar o governo Lula, um percentual que preocupa estrategistas da base do presidente, que historicamente contava com forte apoio desse segmento.
Especialistas apontam vários fatores que podem estar contribuindo para essa mudança de comportamento entre os eleitores mais jovens:
- Representatividade política: a bancada do PT na Câmara possui média de idade próxima a 60 anos, o que pode aumentar a percepção de distanciamento entre a juventude e o partido.
- Ascensão de vozes da direita nas redes sociais: figuras políticas e influenciadores com mensagens alinhadas à direita têm conquistado ressonância entre a chamada geração Z, adotando linguagens e formatos mais próximos dos hábitos digitais desse público.
- Desemprego elevado entre jovens: a taxa de desemprego na faixa de 16 a 24 anos está em 11,4%, bem acima da média nacional de 5,1%, segundo dados oficiais. A condição econômica tende a influenciar negativamente a avaliação do governo entre eleitores diretamente afetados pela falta de oportunidades.
Em resposta ao cenário, o Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou recentemente suas ações de comunicação nas redes sociais, investindo cerca de R$ 400 mil em impulsionamento de posts no Instagram e Facebook nos últimos dias. Desde o ano passado, o partido também teria gasto mais de R$ 2 milhões com artistas e influenciadores digitais para promover programas do governo, numa tentativa de reconectar a imagem da gestão com públicos mais jovens e engajados digitalmente.
Os números divulgados pelo Datafolha, portanto, sinalizam que a campanha presidencial de 2026 caminha para um processo competitivo, com desafios claros para o atual mandatário, sobretudo na manutenção de apoios tradicionais e na conquista de novos segmentos do eleitorado.



Publicar comentário