Europa articula missão própria para reabrir Estreito de Ormuz e tenta reduzir dependência dos EUA, diz jornal
Plano em discussão prevê coalizão europeia com navios especializados em retirada de minas e escolta militar para garantir a travessia após um cessar-fogo. França confirma tratativas e defende operação defensiva sem países diretamente envolvidos no conflito.
A Europa começou a discutir um plano para reabrir a navegação no Estreito de Ormuz após o fim da guerra no Irã, em uma iniciativa que, segundo o jornal The Wall Street Journal, seria conduzida sem participação dos Estados Unidos. O objetivo é garantir segurança marítima em uma das rotas mais estratégicas do planeta para o comércio global de petróleo e insumos agrícolas.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã e concentra parte expressiva do fluxo mundial de energia, além do transporte de fertilizantes. Desde o início do conflito, o Irã reforçou o controle sobre a região e impôs restrições severas ao tráfego, provocando instabilidade nos mercados internacionais.
De acordo com a reportagem, a proposta europeia inclui a criação de uma coalizão capaz de enviar navios especializados na remoção de minas marítimas, além de embarcações militares destinadas a proteger a travessia de petroleiros e cargueiros. A missão seria ativada somente após garantias de cessar-fogo e condições mínimas de segurança.
O presidente francês Emmanuel Macron confirmou que o tema está em debate e afirmou que a iniciativa busca formar uma missão internacional de caráter defensivo, excluindo países diretamente envolvidos na guerra. A avaliação é que uma operação sem protagonismo americano poderia reduzir resistências do Irã e facilitar negociações diplomáticas.
Segundo diplomatas citados pelo jornal, os navios europeus não estariam subordinados a comando militar dos EUA e a operação seria coordenada com países da região, como Irã e Omã, para evitar escaladas e reduzir riscos de confronto direto.
Apesar disso, ainda há divergências internas. Enquanto diplomatas franceses consideram que deixar os EUA de fora pode tornar a missão mais viável politicamente, autoridades britânicas temem que a exclusão provoque atrito com o presidente Donald Trump e reduza o alcance e a força operacional da coalizão.
Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer devem se reunir na sexta-feira (17) com representantes de dezenas de países para aprofundar o debate. Segundo o jornal, os EUA não devem participar. China e Índia também teriam sido convidadas, mas ainda não confirmaram presença.
O debate europeu ocorre em meio a uma nova fase de tensão envolvendo a rota marítima. Após inicialmente defender a reabertura do estreito, Trump passou a adotar uma postura mais agressiva, anunciando que pretende obstruir a passagem para determinados navios como forma de cortar receitas do Irã e aumentar a pressão econômica sobre Teerã.
Mesmo com as restrições, o Estreito de Ormuz não foi completamente fechado. O Irã ainda permite a passagem de alguns petroleiros ligados a parceiros estratégicos, mediante pagamento de taxas elevadas. Segundo dados citados, o país continuou exportando petróleo em volumes relevantes, mantendo uma fonte essencial de receita em meio à crise.
A possibilidade de uma missão europeia independente evidencia uma tentativa de reposicionamento geopolítico do continente: reduzir dependência militar dos Estados Unidos e assumir maior protagonismo na proteção de rotas críticas para o abastecimento energético global.



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