Crise de matrículas ameaça universidades privadas nos EUA
As faculdades particulares dos Estados Unidos entraram em modo de sobrevivência diante de um colapso gradual, mas crescente, no número de alunos. Estimativas apontam que mais de 25% dessas instituições correm risco real de encerrar as atividades nos próximos anos, cenário que pode afetar até 670 mil estudantes.
O principal motor da crise é a queda contínua nas matrículas. Hoje, o país tem cerca de 2,3 milhões de universitários a menos do que em 2010. Para universidades pequenas e médias, que dependem quase totalmente das mensalidades para manter estrutura, folha salarial e investimentos, a redução de alunos virou uma ameaça existencial.
O fenômeno, porém, não atinge todo o sistema de ensino superior da mesma forma. Universidades de elite, como Harvard e Stanford, seguem fora da zona de risco e continuam registrando recordes de candidatos. O impacto se concentra nas instituições privadas menos prestigiadas, com menor poder de atração e menos capacidade de sustentar prejuízos.
Por trás desse desequilíbrio está o encarecimento agressivo do ensino superior. Nas últimas décadas, o valor das mensalidades subiu cerca de 42% acima da inflação, tornando o ingresso na universidade uma decisão cada vez mais associada ao endividamento de longo prazo.
Esse modelo vem perdendo apelo, especialmente porque a dívida estudantil nos EUA cresceu 128% desde 2010 e já ultrapassa US$ 1,8 trilhão. Com o custo alto e retorno incerto, muitos jovens passaram a evitar o caminho universitário tradicional.
Como resposta, cresce a migração para cursos técnicos, formações profissionalizantes e certificações rápidas, opções consideradas mais baratas e mais diretas para o mercado de trabalho. O movimento ganha força também porque a capacidade dos recém-formados de conseguir emprego logo após a graduação vem diminuindo nos últimos anos.
No longo prazo, o cenário se torna ainda mais delicado. A queda na natalidade iniciada em 2008 deve reduzir em cerca de 15% o número de jovens de 18 anos até 2039, o que significa menos candidatos potenciais para um sistema universitário que continua caro e estruturalmente pesado.



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