Flávio Bolsonaro elogia Tereza Cristina e reacende disputa interna por vaga de vice em 2026

Flávio Bolsonaro elogia Tereza Cristina e reacende disputa interna por vaga de vice em 2026

Durante evento do agronegócio em Campo Grande, pré-candidato do PL chamou a senadora de “sonho de consumo” e evitou antecipar decisões sobre composição de chapa. Nos bastidores, nome da ex-ministra divide a direita entre pragmatismo político e fidelidade ao núcleo bolsonarista.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato à Presidência da República em 2026, voltou a alimentar especulações sobre a escolha de um vice ao mencionar publicamente a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como um dos nomes mais fortes para compor uma eventual chapa.

A declaração foi dada nesta quinta-feira (9), em Campo Grande, durante a abertura da 86ª Expogrande, principal feira agropecuária de Mato Grosso do Sul. Ao ser questionado sobre a possibilidade de Tereza Cristina ocupar a vaga de vice, Flávio respondeu com elogios diretos e usou a expressão “sonho de consumo” para descrevê-la.

Segundo ele, a senadora é vista como uma das maiores referências do agronegócio no país e tem prestígio acumulado desde o período em que comandou o Ministério da Agricultura no governo Jair Bolsonaro. Flávio também mencionou uma relação pessoal de respeito e proximidade, afirmando que a chama de “vozinha” por lembrar sua avó, em um tom que classificou como carinhoso.

Apesar do elogio, o senador evitou cravar qualquer definição e disse que o tema ainda será discutido mais adiante, destacando que não há como antecipar decisões sobre a composição da chapa.

A presença de Flávio na Expogrande, por sua vez, foi interpretada como mais um movimento de pré-campanha. Nos últimos meses, o parlamentar tem intensificado viagens pelo país, buscando ampliar sua visibilidade junto a setores estratégicos do eleitorado, especialmente o agronegócio.

Nos bastidores, no entanto, a possível escolha do vice já provoca disputa e tensão dentro do campo da direita. O nome de Tereza Cristina tem boa aceitação no Centrão, é defendido por aliados com perfil mais pragmático e conta com simpatia do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ao mesmo tempo, integrantes mais próximos do núcleo bolsonarista resistem à ideia e articulam alternativas consideradas mais alinhadas ideologicamente, como o ex-governador Romeu Zema (Novo).

A divergência expõe um impasse estratégico: de um lado, a tentativa de construir uma aliança ampla com partidos do centro político; de outro, a preferência por um nome que represente fidelidade direta ao bolsonarismo e consolide a base mais ideológica.

Durante o evento, Tereza Cristina evitou comentar qualquer especulação sobre uma eventual candidatura como vice. Em seu discurso, ela concentrou a fala nos desafios do agronegócio e destacou a pressão econômica enfrentada pelo setor.

A senadora afirmou que produtores rurais estão lidando com alto nível de endividamento, impulsionado por juros elevados, e alertou que o cenário internacional, com conflitos em andamento, amplia as incertezas para a economia e para o campo.

Ao evitar o tema eleitoral, Tereza sinalizou cautela diante do debate que cresce em torno de seu nome — um movimento que, na prática, pode ganhar força à medida que a corrida presidencial de 2026 se aproxima e a direita busca definir qual fórmula será capaz de unificar aliados e ampliar espaço fora da bolha ideológica.

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