Escândalo do Banco Master: Prisões de Vorcaro e Zettel revelam rede de espionagem e ameaças
O caso Banco Master atingiu um novo patamar de gravidade nesta semana. Após o ministro André Mendonça assumir a relatoria no STF, substituindo Dias Toffoli, foi determinada a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel. A operação da Polícia Federal (PF) revelou uma estrutura que misturava crimes financeiros, invasões de sistemas internacionais e táticas de intimidação violenta.
“A Turma”: O Grupo de WhatsApp e a Violência
As investigações da PF expuseram o grupo de mensagens “A Turma”, utilizado por Vorcaro para coordenar ações ilícitas.
- Ações Violentas: O grupo planejava agressões físicas contra jornalistas. Em uma das mensagens, Vorcaro mencionou explicitamente o colunista Lauro Jardim, de O Globo: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
- Tragédia na Custódia: Um dos funcionários de Vorcaro, descrito como um “capanga” que recebia R$ 1 milhão por mês, cometeu suicídio na cela logo após a prisão, segundo informações da polícia.
Invasão de Sistemas e a “Reportagem de R$ 2 Milhões”
A sofisticação do grupo incluía o monitoramento de órgãos de cúpula da segurança mundial.
- Hacks Internacionais: O grupo teria invadido sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol.
- Antecipação de Prisões: Através desses acessos, Vorcaro descobriu ordens de prisão anteriores. Para evitar a cadeia, ele teria pago R$ 2 milhões ao site “O Bastidor” para vazar a informação. Seus advogados usaram a própria reportagem paga para argumentar que a prisão seria desnecessária, já que o fato era “público”.
Menções a Alexandre de Moraes e Corrupção no Banco Central
As mensagens obtidas pela PF também trazem nomes do alto escalão do Judiciário e do sistema financeiro:
- Supostos Encontros: Em diálogos com sua então noiva em abril de 2025, Vorcaro afirmou estar indo se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes e, dias depois, confirmou em vídeo a presença do magistrado.
- Propina no BC: A PF realizou buscas nas residências de Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor do Banco Central) e Belline Santana (ex-servidor). Ambos são acusados de receber propina para atuar como consultores privados de Vorcaro, facilitando questões regulatórias do banco. Os dois foram afastados de seus cargos.
Próximos Passos no Judiciário
A defesa de Daniel Vorcaro nega todas as acusações. O futuro dos detidos agora depende da Segunda Turma do STF, que decidirá se mantém as prisões preventivas. O colegiado inclui o ex-relator do caso, Dias Toffoli, o que adiciona uma camada de atenção política ao julgamento.
O desdobramento deste caso é monitorado de perto pelo setor financeiro, dado o potencial de comprometer a credibilidade de órgãos reguladores e as relações entre grandes empresários e instâncias superiores da justiça.



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