Brics condena ataques a aliados e cobra mais protagonismo para países do Sul Global

Brics condena ataques a aliados e cobra mais protagonismo para países do Sul Global

Reunidos no Brasil para a Cúpula mais simbólica do ano, os líderes do Brics — grupo agora ampliado para 11 países — divulgaram neste domingo (7) uma declaração firme contra os ataques recentes a dois de seus membros: Irã e Rússia.

O documento, assinado ao final do encontro no Rio de Janeiro, também pede uma reforma profunda na ONU, defende a criação do Estado Palestino com base nas fronteiras de 1967 e reforça o papel do Sul Global como voz ativa no cenário internacional.

Apesar de não citar diretamente Estados Unidos, Israel ou Ucrânia, as críticas foram interpretadas como uma resposta velada às ações e alianças dessas nações. Horas após o encerramento da Cúpula, o presidente norte-americano Donald Trump rebateu com uma nova tarifa de 10% sobre qualquer país “que adotar as políticas do Brics”.

Principais pontos da declaração:

  • Condenação aos ataques contra Rússia e Irã
  • Defesa de um sistema multilateral mais equilibrado
  • Apoio ao uso de moedas locais nas transações internas
  • Autonomia dos países para regulamentar as big techs
  • Apoio à Palestina com base nas fronteiras pré-1967

O encontro também sinalizou uma tentativa de reduzir a dependência do dólar e aumentar a cooperação econômica entre os países membros.

Ausências e ruídos diplomáticos

Apesar da retórica de união, o evento foi marcado por baixas de peso. Nem o presidente chinês Xi Jinping nem o russo Vladimir Putin compareceram — uma quebra de tradição que fragilizou o simbolismo do encontro.

Outro ponto de desconforto foi a exclusão, nesta edição, do apoio formal à entrada de Brasil, Índia e África do Sul como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — proposta que já constava em declarações anteriores do bloco.

Protestos em Ipanema

Do lado de fora, a ONG StandWithUs realizou uma manifestação na Praia de Ipanema contra a presença do Irã no grupo. Com faixas que diziam “O Irã mata gays em praça pública”, o protesto denunciou violações aos direitos humanos no país do Oriente Médio e chamou atenção da imprensa internacional.

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