Bolsonaro e Moraes ficam frente a frente no STF em audiência histórica sobre tentativa de golpe

Bolsonaro e Moraes ficam frente a frente no STF em audiência histórica sobre tentativa de golpe

Por Redação | 11 de junho de 2025 — Brasília (DF)

Em um dos momentos mais emblemáticos da crise política brasileira recente, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, estiveram frente a frente nesta terça-feira (10), durante o interrogatório do ex-chefe do Executivo no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Transmitido ao vivo, o encontro gerou grande repercussão nacional e foi acompanhado por milhões de brasileiros — tanto nas redes sociais quanto nas transmissões de rádio e TV, tamanha a expectativa em torno do que muitos chamaram de “a audiência mais esperada do ano”.

Negativas e ironias

Durante mais de duas horas de depoimento, Bolsonaro negou envolvimento em qualquer plano de ruptura institucional, minimizou sua participação na elaboração da chamada “minuta do golpe” e disse que as conversas com militares sobre alternativas para reverter o resultado eleitoral foram rapidamente abandonadas.

“Conversamos, sim, sobre hipóteses constitucionais, mas logo na segunda reunião ficou claro que não havia clima nem base sólida para seguir adiante”, afirmou Bolsonaro, ao ser questionado por ministros e advogados.

Em tom contido, o ex-presidente procurou se descolar dos atos antidemocráticos registrados após a sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva, e disse que jamais incentivou publicamente a intervenção militar.

Pedido de desculpas e provocação bem-humorada

Um dos momentos mais inusitados do depoimento ocorreu quando Bolsonaro se dirigiu diretamente a Moraes, pedindo desculpas por ter sugerido, em entrevistas passadas, que ministros do STF recebiam propina.

“Foi um desabafo, uma retórica. O senhor me desculpe”, disse, em tom mais conciliador.

A audiência também teve espaço para ironias. Em dado momento, Bolsonaro, em tom descontraído, convidou Moraes para ser seu vice em uma eventual candidatura em 2026. O ministro sorriu e respondeu: “Eu declino” — arrancando risos discretos no plenário.

Reações polarizadas

A postura do ex-presidente gerou reações divergentes. Aliados elogiaram sua performance, dizendo que ele “enfrentou o STF com serenidade” e reforçou sua defesa ao condenar a ideia de um golpe. Já a oposição apontou contradições no discurso e destacou a admissão de contato com a minuta golpista como prova de envolvimento.

O depoimento ocorre dias após o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmar que o ex-presidente chegou a editar pessoalmente o texto da minuta, retirando a prisão de autoridades, mas mantendo o nome de Moraes como alvo central da ação.

O que vem pela frente

Com o encerramento da oitiva de Bolsonaro, o STF avança para a fase final das investigações, que devem ser concluídas nas próximas semanas. A expectativa é que o julgamento dos envolvidos ocorra em outubro, e pode definir o futuro político de diversas figuras-chave do antigo governo.

A audiência histórica reforça o papel central do Supremo no debate institucional brasileiro e marca mais um capítulo na longa tensão entre o Judiciário e o bolsonarismo.

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