PF analisou só parte do celular de Vorcaro e perícia trava com mais de 100 aparelhos apreendidos
A Polícia Federal periciou apenas cerca de um terço do conteúdo de um dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (4). Mesmo com essa análise parcial, os dados extraídos já foram suficientes para embasar a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a prisão do banqueiro.
A investigação aponta que Vorcaro estaria ligado a um grupo chamado “A Turma”, suspeito de atuar no monitoramento de pessoas consideradas adversárias do banco e na obtenção de informações sigilosas. A PF sustenta que o esquema envolveria indivíduos próximos ao empresário, responsáveis por ações de coleta de dados e vigilância direcionada.
O caso ainda está longe de ser concluído. A PF tem mais de 100 dispositivos apreendidos — entre celulares, computadores e HDs externos — aguardando perícia, o que indica que o volume de provas pode crescer consideravelmente nas próximas etapas da apuração.
Entre os nomes citados na investigação está Luiz Phillipi Mourão, apontado como operador responsável por atividades de monitoramento. Segundo os investigadores, ele teria usado credenciais de terceiros para acessar sistemas restritos, incluindo bases da própria PF, do Ministério Público e até de organismos internacionais.
Mensagens encontradas no aparelho analisado também indicariam que Vorcaro cogitou simular um assalto para agredir um jornalista crítico ao banco, com ameaças explícitas como “dar um pau” e “quebrar todos os dentes”.
Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4) na operação que apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas. A PF também prendeu Fabiano Zettel, cunhado do empresário, apontado como integrante do grupo investigado.
O banqueiro já havia sido preso em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito supostamente fraudulentos. Na ocasião, foi detido no Aeroporto de Guarulhos e depois liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica.



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