Canal no extremo sul vira alvo de disputa entre China e EUA
Com a crise hídrica que afeta o Canal do Panamá, um novo ponto estratégico entrou no radar das grandes potências: o Estreito de Magalhães, no sul da América do Sul. O canal natural, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, ganhou importância comercial e militar — e está no centro de uma disputa silenciosa entre Estados Unidos e China.
A crescente movimentação na região está ligada ao acesso à Antártida. China e Rússia já operam mais de 15 bases no continente gelado, que concentra enormes reservas de recursos naturais e é estratégico para pesquisas e projeção de poder global.
Corrida por influência
🇺🇸 Nos últimos dois anos, militares dos Estados Unidos visitaram o sul da Argentina pelo menos três vezes. Washington também apoiou a compra de novos caças para o país e pressiona o Reino Unido a flexibilizar o embargo militar imposto desde a Guerra das Malvinas, com o objetivo de impedir que Buenos Aires busque armamento chinês.
🇨🇳 A China, por sua vez, aumentou os investimentos em infraestrutura na região, com tentativas — até agora frustradas — de construir um megaporte no sul argentino. O país também tem expandido sua presença científica e logística ligada à Antártida.
Milei no centro do tabuleiro
Com o aumento do interesse estratégico, o governo de Javier Milei se tornou peça-chave nesse novo xadrez geopolítico. Os EUA tentam garantir a aproximação da Argentina e conter a influência chinesa no Cone Sul.
No entanto, os planos esbarram em dilemas internos e históricos. O embargo britânico ainda limita o acesso argentino a tecnologias de defesa, especialmente em equipamentos com peças fabricadas no Reino Unido.
Um novo centro de poder?
Com mais navios cruzando o Estreito de Magalhães e os olhos voltados para a Antártida, o “fim do mundo” pode se transformar em um dos pontos mais vigiados e disputados do planeta.



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