“Devemos nos preparar para o pior”, alerta Celso Amorim sobre escalada no Oriente Médio
O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, expressou forte preocupação nesta segunda-feira (2) com o “alastramento vertiginoso” do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Em entrevista à GloboNews, Amorim classificou o assassinato de um líder de Estado em exercício como “condenável e inaceitável”, referindo-se à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
A diplomacia brasileira agora trabalha para equilibrar a condenação das ações militares com a manutenção do canal de diálogo com a Casa Branca, especialmente às vésperas da visita do presidente Lula a Donald Trump em Washington, prevista para meados de março.
O Cenário de Guerra Aberta
O conflito, que explodiu no último sábado (28), transformou drasticamente a geopolítica mundial em poucas horas:
- Ofensiva Inicial: EUA e Israel realizaram ataques aéreos massivos visando o programa nuclear iraniano e centros de comando em Teerã.
- Baixas no Irã: O governo iraniano confirmou a morte de sua autoridade máxima, o aiatolá Ali Khamenei, além do ministro da Defesa e do chefe do Estado-Maior.
- Retaliação e Alastramento: O Irã respondeu com ondas de mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Bahrein, Catar, Kuwait e Emirados Árabes. A ofensiva causou centenas de mortes e o fechamento do Estreito de Ormuz, eixo vital para o comércio global de petróleo.
A Postura do Itamaraty e o Fator Trump
O Ministério das Relações Exteriores emitiu notas sequenciais que refletem a cautela brasileira diante da crise:
- Primeira Nota (Sábado de manhã): Condenou diretamente os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o território iraniano.
- Segunda Nota (Sábado à noite): Manifestou solidariedade aos países atingidos pela retaliação iraniana e pediu a interrupção imediata das hostilidades, sem citar nominalmente os países envolvidos.
- Agenda Bilateral: Celso Amorim destacou que a viagem de Lula a Washington (prevista para os dias 15 a 17 de março) exigirá “destreza” para não comprometer a credibilidade brasileira enquanto se busca manter o diálogo com Trump.
Riscos para a Estabilidade Regional
Amorim alertou que o “pior” cenário seria a consolidação de uma guerra regional total. O Irã, historicamente, utiliza grupos xiitas e aliados em outros países (como Líbano, Síria e Iraque) para expandir o conflito, o que já começou a ocorrer com ataques a instalações americanas em diversos países vizinhos.
O governo brasileiro segue monitorando a situação de brasileiros na região e avalia o impacto econômico global, especialmente no preço dos combustíveis e na inflação, decorrentes do bloqueio logístico no Oriente Médio.



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