Tiroteio em Gaza: ao menos 73 civis são mortos enquanto buscavam ajuda humanitária

Tiroteio em Gaza: ao menos 73 civis são mortos enquanto buscavam ajuda humanitária

Pelo menos 73 palestinos foram mortos no último domingo (20) por disparos das forças israelenses enquanto tentavam receber ajuda humanitária na Faixa de Gaza, segundo informações do Ministério da Saúde local. Além das vítimas fatais, cerca de 150 pessoas ficaram feridas. A maioria dos mortos — 67 — estava no norte do território, enquanto outros seis óbitos ocorreram em Khan Younis, no sul.

O ataque acontece em meio a um agravamento da crise humanitária no enclave, onde multidões desesperadas se reúnem diariamente em torno de caminhões de alimentos. Este foi um dos episódios mais letais registrados em uma série de incidentes envolvendo civis atingidos enquanto buscavam socorro.

Segundo o Exército de Israel, soldados efetuaram disparos de advertência após identificarem uma aglomeração que “representava ameaça imediata” aos militares, na região norte da Faixa. A corporação informou que o caso ainda está sob investigação e não confirmou o número de vítimas.

Relatos de organizações humanitárias, no entanto, apontam um cenário caótico. A ONU, por meio do Programa Mundial de Alimentos (WFP), confirmou que um comboio com 25 caminhões cruzou o ponto de Zikim na manhã de domingo com destino ao norte de Gaza. Logo após ultrapassar o último posto de controle, os veículos teriam sido alvos de disparos de tanques, atiradores e outras formas de ataque.

“O tiroteio contra civis próximos a comboios de ajuda deve cessar imediatamente”, declarou a entidade em nota, denunciando as condições cada vez mais perigosas para a operação humanitária na região.

Hospitais sobrecarregados e mortes por fome
No Complexo Médico Al-Shifa, na cidade de Gaza, o diretor, Dr. Mohammed Abu Salmiya, descreveu um cenário de colapso: “Estamos diante de um número insustentável de mortos, feridos e pessoas famintas. Muitos chegam inconscientes, incluindo membros da equipe médica”.

A situação se repete em outros centros. O Crescente Vermelho Palestino informou que seu hospital de campanha em Gaza City recebeu 120 feridos no domingo, muitos em estado crítico, além de dois corpos. Segundo a organização, o tiroteio ocorreu enquanto civis esperavam pela chegada de ajuda próxima à área de Beit Lahia, também ao norte.

Diante da crise, novas enfermarias foram improvisadas — a capacidade do hospital é de apenas 68 leitos.

Evacuação forçada e colapso do sistema de saúde
Moradores da cidade central de Deir Al Balah relataram que foram forçados a evacuar suas casas após aviões israelenses lançarem panfletos ordenando a saída imediata. “Estamos cercados. Não temos para onde ir, nem o que comer. Estamos morrendo de fome e sede”, disse a residente Thurayya Abu Qunneis.

A organização Medical Aid for Palestinians (MAP) alertou que as ordens de retirada agravam o colapso da infraestrutura de saúde: clínicas, cozinhas comunitárias e abrigos estão sendo esvaziados às pressas, comprometendo os últimos serviços básicos ainda em funcionamento.

Outro massacre no sábado
No dia anterior, um novo ataque já havia deixado pelo menos 32 mortos próximo a um centro de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza, segundo testemunhas e autoridades locais. A justificativa do Exército israelense foi semelhante: presença de “suspeitos” que teriam ignorado ordens de recuo.

Os números da tragédia humanitária impressionam. Apenas entre 27 de maio e 20 de julho, quase mil pessoas teriam morrido tentando acessar ajuda, segundo o Escritório de Comunicação do governo de Gaza. Já o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos contabilizou cerca de 800 mortes no mesmo contexto até o início deste mês.

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