A perigosa ressaca da onda de cannabis nos EUA

A perigosa ressaca da onda de cannabis nos EUA

A onda de legalização e popularização da cannabis nos Estados Unidos, especialmente com a febre dos comestíveis, está gerando um efeito colateral preocupante. Por trás da fachada de “inofensiva”, a cannabis tem se tornado um gatilho para um aumento alarmante de intoxicações.

Os números são claros e assustadores: o total de casos de intoxicação reportados a centros de controle de envenenamento saltou de apenas 930 em 2009 para mais de 22 mil em 2024. O detalhe mais grave é que 75% desses casos envolvem crianças e adolescentes. Embora a maioria não seja grave, os episódios mais sérios, que envolvem problemas respiratórios e risco de morte, cresceram de dez para mais de 620 no último ano.

Especialistas alertam que a realidade pode ser ainda pior. Muitos hospitais não são obrigados a reportar todas as ocorrências, o que sugere uma subnotificação massiva. A causa principal das intoxicações acidentais são os produtos comestíveis, que, muitas vezes, são confundidos com doces e salgadinhos comuns, atraindo especialmente as crianças.

A percepção de que o THC (o principal componente psicoativo da cannabis) é “completamente seguro” tem sido a maior preocupação de médicos e toxicologistas. Essa falsa sensação de segurança tem levado a uma liberalização sem a devida atenção aos riscos, criando um problema de saúde pública que, agora, volta ao centro do debate político.


O debate político e o dilema de Trump

O tema, que parecia pacificado, retorna à pauta política. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump afirmou que está considerando reclassificar a maconha para uma categoria de drogas com menor potencial de abuso.

A medida, que facilitaria a venda e a compra da substância, é um movimento arriscado. Se por um lado a reclassificação pode agradar uma parte do eleitorado e movimentar a economia, por outro, pode agravar ainda mais o problema de saúde pública já existente.

A questão central é como o governo vai lidar com a necessidade de regulamentação e fiscalização em meio a uma cultura de legalização crescente. O boom da cannabis revelou que a falta de controle não é apenas uma questão de segurança, mas um dilema que expõe a fragilidade da saúde pública diante de um mercado em expansão.

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