Lula prepara ofensiva social com novos programas para impulsionar governo até 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma nova onda de programas sociais para fortalecer a base de apoio do governo e pavimentar o caminho rumo à reeleição em 2026. Pelo menos seis novas iniciativas estão no radar do Palácio do Planalto, que busca ampliar a percepção de bem-estar econômico entre os eleitores nos próximos meses.
A principal aposta do petista está na reformulação do Imposto de Renda: isenção para quem ganha até R$ 5.000 mensais e redução na alíquota para salários entre R$ 5.001 e R$ 7.350. A medida, promessa de campanha em 2022, precisa ser aprovada pelo Congresso até setembro para ter validade no ano eleitoral. O impacto fiscal, que inicialmente era estimado em R$ 25,8 bilhões, pode chegar a R$ 31,3 bilhões em 2026, conforme relatório do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Além da reforma tributária, o governo pretende estimular o consumo com crédito subsidiado para setores populares, incluindo financiamento para reformas em moradias e a compra de motos elétricas por entregadores. Também há expectativa de ampliar o teto do programa Minha Casa, Minha Vida, atualmente em R$ 12 mil, visando alcançar a classe média.
O Ministério de Minas e Energia prepara o lançamento do programa “Gás para Todos”, previsto para o início de agosto. A iniciativa deverá ser formalizada por Medida Provisória e promete triplicar o número de famílias atendidas em relação ao Auxílio Gás atual, saltando de 5,4 milhões para cerca de 16,6 milhões de beneficiários.
Apesar da expansão de programas, o governo intensificou o pente-fino no Bolsa Família. Só entre junho e julho, 855 mil famílias deixaram de receber o benefício — o maior corte mensal da história do programa. Oficialmente, o Ministério do Desenvolvimento Social atribui as exclusões ao aumento de renda das famílias, mas especialistas apontam que movimentos dessa magnitude raramente ocorrem de forma espontânea. O ministro Wellington Dias afirma que a expectativa é reincluir até 2 milhões de famílias nos próximos meses, embora admita que os cortes devem continuar em menor escala.
Internamente, o Planalto avalia que o pacote de programas sociais será essencial para melhorar os índices de aprovação de Lula, que enfrenta resistência especialmente fora de suas bases eleitorais tradicionais. Dados da pesquisa Quaest, divulgada em julho, mostram que 53% dos brasileiros ainda desaprovam o governo, contra 43% que aprovam — uma recuperação em relação a maio, quando a distância entre os dois grupos era de 17 pontos percentuais, agora reduzida a 10.
A recente melhora na popularidade do presidente coincide com duas frentes estratégicas: o embate público com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, e a intensificação da narrativa de justiça fiscal com a defesa da taxação sobre os mais ricos.
Segundo a Quaest, a maioria da população enxerga as tarifas norte-americanas como prejudiciais: 79% acreditam que as medidas afetam diretamente suas vidas e 72% consideram injusta a alegação de que o Brasil persegue Bolsonaro, justificativa apresentada por Trump para as sanções.
Com o cenário eleitoral se aproximando, o governo aposta em uma combinação de alívio fiscal para os trabalhadores, estímulo ao consumo popular e confrontos geopolíticos como forma de fortalecer a imagem de Lula como defensor da soberania e da justiça social. A estratégia busca não apenas consolidar a base de apoio popular, mas também atrair o centro político, hoje mais alinhado ao campo bolsonarista.
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