Brasil reage à ofensiva comercial de Trump com possível retaliação em patentes

Brasil reage à ofensiva comercial de Trump com possível retaliação em patentes

O governo brasileiro já articula uma resposta à ameaça de tarifas de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos nacionais, mesmo sem notificação formal dos Estados Unidos. Uma força-tarefa técnica foi convocada pelo Planalto para discutir possíveis contramedidas com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada recentemente pelo Congresso.

Entre as estratégias em análise, ganha destaque a possibilidade de retaliação no campo da propriedade intelectual — o que pode atingir patentes farmacêuticas e direitos autorais de produtos culturais norte-americanos. A medida já foi adotada em disputas anteriores com os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) e volta ao radar como arma diplomática e comercial.

Apesar da escalada retórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz estar aberto ao diálogo com Washington, desde que haja respeito à soberania brasileira. Nos bastidores, o Palácio do Planalto vê a investida de Trump como mais uma manobra eleitoral com viés ideológico.

As projeções econômicas, no entanto, preocupam: especialistas estimam que, se implementadas, as novas tarifas poderiam cortar em até US$ 13 bilhões as exportações brasileiras até 2026. Somente em 2024, os EUA responderam por cerca de 12% das vendas externas do Brasil, com destaque para petróleo, carne bovina, aço e café.

Lula minimizou os impactos ao lembrar que o comércio com os americanos representa apenas 1,7% do PIB nacional. Ele também voltou a defender a criação de uma moeda alternativa ao dólar nas transações internacionais:

“Cansamos de ser subordinados ao norte. Já discutimos, inclusive, a criação de uma moeda própria entre países parceiros.”

O presidente também acusou o deputado Eduardo Bolsonaro de ter articulado a pressão tarifária junto a Trump como forma de retaliação às investigações da Polícia Federal contra seu pai, Jair Bolsonaro. Em resposta, o ex-presidente elogiou a medida de Trump, afirmando que ela “demonstra firmeza” diante do que classificou como “desvio de valores do Brasil frente ao mundo livre”.

A tensão cresce, e o impasse pode reacender disputas comerciais entre os dois países — desta vez, em um cenário global ainda mais polarizado.

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