Governo Lula acelera liberação de emendas para aliviar tensão com Congresso
Nas últimas semanas, o governo federal vinha enfrentando crescente pressão do Congresso Nacional por conta da demora na liberação de emendas parlamentares. Essa tensão, que ameaçava o avanço de projetos no Legislativo, começou a ser aliviada após uma reunião entre o presidente Lula, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e lideranças partidárias.
O resultado foi imediato: desde sábado (14), mais de R$ 516 milhões em emendas foram liberados. O montante total empenhado passou de R$ 151 milhões para R$ 667 milhões em apenas alguns dias — e a expectativa é que, até o fim do mês, o valor chegue a R$ 2 bilhões.
As emendas em questão são do tipo individual, ou seja, recursos indicados por deputados e senadores para obras e projetos em suas bases eleitorais.
A demora, segundo o Planalto, se deve ao atraso na aprovação do Orçamento de 2025, que limitou os repasses no primeiro semestre do ano. No entanto, com a pressão política aumentando, o governo resolveu destravar os pagamentos para evitar maiores desgastes.
Contas públicas pressionadas
Enquanto busca acalmar o Congresso, o governo federal enfrenta outro desafio: o aumento das despesas públicas. Desde o início do terceiro mandato de Lula, as despesas cresceram R$ 344 bilhões — quase o dobro do ritmo de crescimento da arrecadação (+R$ 191 bilhões).
Esse desequilíbrio pode levar o Brasil a fechar 2025 com um déficit de 0,77% do PIB, segundo projeções, pressionando ainda mais a dívida pública, que tende a subir 12 pontos percentuais até 2027.
Para tentar conter o rombo fiscal, o Ministério da Fazenda sugeriu elevar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mas a proposta encontrou forte resistência no Congresso e deve ser barrada.
Apesar disso, Lula tem insistido que “não se pode ceder o tempo todo” e minimizou a proposta, afirmando que “não é nada demais”.



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