PGR manda prender. STF manda soltar.

PGR manda prender. STF manda soltar.

Mauro Cid e Gilson Machado viram protagonistas de novo capítulo na novela do caso Bolsonaro

Em mais um dia de reviravoltas na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, o tenente-coronel Mauro Cid — ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator-chave no caso — teve sua prisão solicitada pela PGR e revogada pelo STF antes mesmo de ser cumprida.

O motivo da nova prisão

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Cid teria tentado obter um passaporte português com ajuda do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, com objetivo de fugir do país.

A PF encontrou em seu celular arquivos e mensagens que mostram tentativas de obter a cidadania portuguesa já em janeiro de 2023. A situação se agravou após a família de Cid deixar o Brasil rumo a Los Angeles, levantando suspeitas de obstrução de justiça.

Gilson Machado, por sua vez, foi preso temporariamente em Recife, acusado de intermediar o contato com o consulado de Portugal. Mas, assim como no caso de Cid, a decisão foi revogada por Alexandre de Moraes ainda na noite de ontem.

A delação sob ataque

No meio da confusão, a revista Veja divulgou prints de conversas atribuídas a Mauro Cid, feitas por meio de um perfil falso nas redes sociais. Nas mensagens, ele:

  • Critica Alexandre de Moraes, dizendo que foi “pressionado” a delatar;
  • Nega a existência de um plano golpista;
  • E afirma que aceitou colaborar apenas para obter liberdade.

Bolsonaro reage

Jair Bolsonaro aproveitou a reportagem para tentar anular a delação de Cid, classificando os relatos como parte de um “enredo de mentiras”. A defesa do ex-presidente diz que as conversas revelam fragilidade e falta de espontaneidade no acordo de colaboração.

Se confirmadas, as mensagens podem:

  • Minar a credibilidade da delação;
  • Levantar questionamentos sobre o uso de prisões preventivas como instrumento de coação;
  • E trazer novo fôlego à defesa de Bolsonaro no processo.

O que vem agora

Mesmo com o vaivém judicial, Cid e Bolsonaro seguem como réus no inquérito sobre a tentativa de golpe. A expectativa é de que o veredito final seja dado no segundo semestre.

Até lá, o clima segue de tensão, vazamentos e reviravoltas — ou, como diria o brasileiro médio: “mais emocionante que novela das 9”.

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