EUA e China estão a um “sim” de um novo acordo comercial
Negociação envolve terras raras, educação e tarifas — mas ainda depende da resposta de Xi Jinping
Após dois dias de reuniões em Londres entre representantes dos governos dos Estados Unidos e da China, o ex-presidente Donald Trump anunciou, nesta quarta-feira (11), um pré-acordo comercial bilateral que, segundo ele, pode abrir um novo capítulo nas tensas relações entre as duas maiores potências econômicas do planeta.
O que está na mesa?
Segundo Trump, o pacote negociado inclui dois pontos principais:
- Fornecimento antecipado de ímãs e minerais de terras raras pela China aos EUA — considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia limpa e defesa nacional.
- Manutenção do acesso de estudantes chineses às universidades norte-americanas, uma demanda sensível para Pequim.
A relevância é enorme: a China é líder global nesse tipo de matéria-prima, sendo responsável por 60% da produção e 90% do processamento de terras raras em todo o mundo. Já nos EUA, há cerca de 300 mil estudantes chineses matriculados, o que também representa bilhões em movimentação econômica.
Mas tem um problema (e não é pequeno)
Apesar da empolgação de Trump, o governo chinês ainda não confirmou oficialmente o acordo. A ausência de sinal verde por parte de Xi Jinping mantém o cenário em suspenso e levanta dúvidas sobre o anúncio precipitado.
A situação foi comparada por analistas a “aquele colega que anuncia a promoção antes do RH confirmar”: pode ser verdade, mas também pode gerar constrangimentos se o acordo não vingar.
E as tarifas?
Trump também afirmou que, mesmo com o acerto, os Estados Unidos manterão tarifas de até 55% sobre produtos chineses, enquanto a China aplicaria apenas 10% sobre itens americanos — o que reforça o caráter unilateral da iniciativa até o momento.
O impacto global
A guerra comercial entre as duas potências, iniciada em 2018 e intensificada ao longo dos últimos anos, tem afetado cadeias produtivas, mercados financeiros e projeções econômicas em escala mundial.
📉 Nesta semana, o Banco Mundial revisou para baixo suas previsões globais, prevendo que esta será a década com o crescimento econômico mais lento desde os anos 1960 — resultado, entre outros fatores, da persistente instabilidade entre Washington e Pequim.
Zoom out
Embora o suposto acordo sinalize uma possível reaproximação, a diplomacia continua no modo de espera. Até que a China confirme oficialmente os termos, o mundo segue em compasso de espera — e o comércio global, em estado de atenção máxima.



Publicar comentário