Argentina cresce 8% em abril e reforça aposta liberal de Milei — mas com desafios pela frente
Do ponto de vista econômico, os dados de abril representam uma virada significativa para a Argentina, após anos de estagnação, inflação descontrolada e descrédito externo. Um crescimento de 8% em base anual não apenas surpreende pelo volume, mas confirma uma tendência positiva consistente desde o fim de 2024.
O que está por trás desse crescimento?
O avanço é, em grande parte, resultado direto da política econômica ortodoxa e liberal de Javier Milei. O pacote adotado pelo governo incluiu:
- Corte agressivo de gastos públicos
- Interrupção da emissão monetária
- Reformas fiscais com foco em redução de impostos e desregulamentação
Essa estratégia, embora dolorosa no curto prazo, está restaurando a confiança do setor privado, reativando a produção, o investimento e o mercado de trabalho.
A inflação, que era o maior entrave macroeconômico argentino, despencou de quase 300% para níveis projetados abaixo de 30% no segundo semestre de 2025. Essa estabilização monetária permitiu ganhos reais de renda, destravou o crédito e aumentou a previsibilidade para empresas e consumidores.
Mercado de trabalho e produtividade
O crescimento econômico começa a refletir na geração de empregos formais, com aumento de 1,2% na taxa de entrada no emprego em abril. Isso indica uma recuperação não apenas nos dados agregados, mas também em variáveis microeconômicas fundamentais.
Esse crescimento com melhora na produtividade e no mercado formal é raro em contextos pós-crise, e reforça a ideia de que a recuperação argentina está ganhando tração real, não apenas estatística.
Mas há riscos e desafios
Apesar dos números animadores, a queda na arrecadação de 1,4% em abril mostra que a reforma fiscal tem custo, especialmente num cenário de desoneração tributária e ajuste de gastos. Embora o superávit primário tenha sido mantido, a sustentabilidade do ajuste dependerá de crescimento contínuo e controle político da agenda.
Há ainda vulnerabilidades externas:
- A dependência do agronegócio e das exportações de commodities torna o país sensível a choques externos.
- A dolarização informal e a desconfiança crônica no peso ainda não foram plenamente resolvidas.
Conclusão
A economia argentina finalmente dá sinais sólidos de recuperação, com fundamentos mais sustentáveis do que em ciclos anteriores. O crescimento de 8% em abril consolida uma tendência iniciada em 2024 e coloca o país entre os destaques globais em 2025.
Entretanto, como economista, ressalto: a manutenção dessa trajetória depende da capacidade política do governo Milei de sustentar reformas duras sem perder apoio social — e da evolução de variáveis-chave como arrecadação, consumo interno e confiança empresarial.
A Argentina vive um momento de inflexão. Se bem administrado, pode representar o início de um novo ciclo virtuoso.



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