PIB do Brasil cresce 1,4% no 1º trimestre puxado pelo agro, mas sinais de desaceleração já preocupam
O Brasil largou forte em 2025. Impulsionada por um agronegócio em ritmo acelerado, a economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre, segundo dados divulgados nesta segunda-feira. O número representa uma aceleração expressiva frente aos tímidos 0,1% do trimestre anterior, embora tenha ficado levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam 1,5%.
Agro é tudo — e mais um pouco
O destaque incontestável foi o setor agropecuário, que disparou 12,2% no período. A colheita recorde de soja e a recuperação após perdas climáticas no fim de 2024 colocaram o campo como protagonista do crescimento. Em valores correntes, o Produto Interno Bruto atingiu a marca de R$ 3 trilhões — um salto que faz barulho no cenário global.
Brasil entre os que mais crescem no mundo
No acumulado de 12 meses, o crescimento da economia chega a 3,5%. O desempenho coloca o Brasil como a 5ª economia que mais cresceu entre as maiores do planeta, superando nomes de peso como:
- 🇺🇸 EUA (+2,1%)
- 🇯🇵 Japão (+1,7%)
- 🇬🇧 Reino Unido (+1,3%)
- 🇩🇪 Alemanha (0,0%)
Um feito notável, especialmente em um cenário de inflação resistente e juros elevados em boa parte do mundo.
Mas nem tudo são flores no campo da economia
Apesar do bom início de ano, o horizonte começa a nublar. A Selic subiu para 14,75% em maio — o maior nível em quase 20 anos —, o que deve pressionar ainda mais o crédito, os investimentos e o consumo nos próximos trimestres. O mercado já fala em desaceleração, mesmo com a resiliência do mercado de trabalho e uma oferta de crédito ainda razoável.
Opinião de especialista: crescimento com cautela
Como economista, vejo o desempenho do agro como uma alavanca poderosa — mas que tem limites. O setor é cíclico, dependente do clima e da demanda externa. Para sustentar o crescimento, é essencial diversificar os motores da economia. Com juros estratosféricos, o setor industrial segue travado e o consumo das famílias começa a perder fôlego.
Se o governo quiser manter a meta de crescimento de 2,4% para o ano, precisará equilibrar estímulo e responsabilidade fiscal com mais habilidade do que nunca. O Brasil cresceu — agora precisa mostrar que sabe sustentar esse crescimento sem tropeçar nos próprios juros.



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