Musk deixa cargo formal no governo Trump, mas segue como conselheiro do “Doge”

Musk deixa cargo formal no governo Trump, mas segue como conselheiro do “Doge”

Em uma cena digna de roteiro político hollywoodiano, Donald Trump e Elon Musk dividiram os holofotes no Salão Oval nesta quinta-feira (30). Com um tom surpreendentemente cordial — e recheado de trocas de elogios —, o presidente dos Estados Unidos anunciou a saída oficial do bilionário do governo, mas garantiu: “Ele não vai para longe.”

O que muda, o que permanece

Apesar de deixar um posto oficial, Elon Musk continuará atuando como conselheiro do Doge (Departamento de Eficiência Governamental) — um órgão criado pela administração Trump para modernizar processos públicos com o uso de tecnologia e inteligência artificial. Segundo o presidente, a contribuição de Musk tem sido “inestimável” e sua presença “seguirá sendo vital para o futuro da máquina pública americana.”

Elogios públicos e alinhamento político

Durante a coletiva de imprensa, Trump exaltou o papel de Musk em sua gestão, chamando-o de “gênio visionário” e afirmando que a parceria entre governo e inovação privada “nunca foi tão forte”. Musk retribuiu na mesma moeda, afirmando que Trump “entende a importância da eficiência e da tecnologia” e elogiando a iniciativa do Doge como “um passo fundamental para o futuro do Estado moderno”.

O tom amistoso marca uma nova fase na relação entre os dois, que já trocaram críticas no passado, especialmente durante a pandemia e o início do primeiro mandato de Trump. Agora, ambos parecem alinhados em um projeto de governo mais digital e privatista.

O que está em jogo: mais do que cargos, narrativa

A permanência informal de Musk no governo Trump é menos sobre função e mais sobre simbologia. Em tempos de polarização e culto à personalidade, o apoio mútuo reforça narrativas de eficiência, ruptura com o “sistema” e culto à inovação — temas centrais na campanha de reeleição de Trump.

Análise econômica: a máquina pública como startup?

Como economista, é importante ponderar: transformar o Estado em uma espécie de “startup de eficiência” pode soar atraente, mas a realidade é mais complexa. A presença de Musk no Doge representa uma aposta clara no modelo de gestão enxuta e centrada em dados. No entanto, políticas públicas exigem equilíbrio entre velocidade e inclusão, algo que nem sempre combina com a lógica empresarial.

A pergunta que fica é: será que a visão de Musk para a máquina pública terá fôlego — ou resultados — além dos holofotes?

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