IOF vira ringue entre Congresso e Planalto: economia em xeque e desgaste político à vista
A mais recente crise entre os Poderes em Brasília tem nome e sobrenome: Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O decreto presidencial que aumentou a alíquota do tributo transformou o Congresso em um verdadeiro campo de batalha, com 22 projetos (até agora) buscando derrubar a medida — algo que, se acontecer, não se vê há 25 anos.
Na linha de frente está o presidente da Câmara, Hugo Motta, que não poupou críticas ao governo. Segundo ele, o Executivo está recorrendo a “gambiarras fiscais” para fechar as contas, quando deveria estar enfrentando o custo político de reformar a máquina pública. Motta defendeu alternativas mais estruturais, como a revisão das isenções fiscais e, principalmente, a tão adiada reforma administrativa.
O desgaste é evidente. O senador Davi Alcolumbre acusou o Executivo de “usurpar” prerrogativas do Legislativo, enquanto o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, fez um alerta duro: se o decreto for derrubado, o país pode enfrentar um colapso na máquina pública e cortes mais profundos nas emendas parlamentares — o coração da política de alianças em Brasília.
Análise econômica: um tapa-buraco arriscado
Do ponto de vista econômico, o aumento do IOF é uma solução fácil, porém frágil. Serve como um tapa-buraco para garantir uma arrecadação extra estimada em R$ 20,5 bilhões, mas escancara a falta de um plano fiscal robusto e sustentável. Subir impostos, especialmente em um momento de atividade econômica instável e crédito caro, é jogar contra o crescimento.
Mais grave: transmite um sinal de desorganização fiscal ao mercado, o que pode aumentar a percepção de risco e dificultar ainda mais a atração de investimentos.
A verdadeira saída? Um ajuste fiscal de verdade, com revisão de gastos, corte de privilégios e uma reforma administrativa que ataque o problema na raiz: a ineficiência estrutural do Estado brasileiro.
No fim das contas, o impasse do IOF revela o que muitos já sabem, mas poucos têm coragem de dizer em voz alta: enquanto o governo insiste em medidas paliativas, o Brasil continua empurrando seus problemas fiscais com a barriga — à custa da confiança, do investimento e, claro, do bolso do contribuinte.



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